Num triângulo de Ilhas, uma lenda de Açores. De rosto humano!

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Dou comigo a recordar aquele mestre do Terra Alta que - numa travessia das Velas para São Roque, já lá vão mais de 25 anos - me contava do Sr. Quaresma, de braço no ar, em cima do velho cais da Madalena.
Em dias de temporal, contando as ondas... para marcar o momento seguro de entrada do barco.

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Naquele triângulo de ilhas, o barco era tudo: Viu nascer as crianças (mais impacientes!) que não aguardaram até ao hospital da ilha em frente... foi viatura de funeral ou ambulância.
Muitas histórias de amor se teceram à distância, vertidas nas cartas confiadas a João Quaresma para que as encaminhasse para os amores ausentes.
Ou os açafates da comida e as encomendas que os pais mandavam para os miúdos da Ilha Montanha que tinham ido estudar para a Horta. Do lado de lá. o Gilberto das Lanchas, com a sua carrocinha, havia de tratar das entregas em mão.

Não havia lancha que arriscasse demandar o porto da Madalena sem ordem de João Quaresma. Todos os dias em cima do cai…

É ou não é? - a pergunta que deu em fado de Amália Rodrigues!

As palavras são de Alberto Janes. A voz... só podia ser de Amália!
Nos tempos que correm... não podia vir mais a propósito aquela pergunta: Afinal... É ou não é?


Foi um dos êxitos da grande diva do fado.
Integrou o EP, lançado em Abril de 1970, constituído inteiramente por criações do letrista e compositor de Reguengos de Monsaraz.
A Rita Yé, Yé, Vai de Roda Agora e Lá na Minha Aldeia foram outras das composições que surgiram naquele disco.




As voltas que a vida dá... Alberto Janes fez a vontade do pai, proprietáro da Farmácia Moderna em Monsaraz, segui-lhes as pisadas e fez-se doutor em artes farmacêuticas na Universidade do Porto.
Mas nunca conseguiu esquecer que a sua grande vocação passava pelas canções. E foi na voz de Amália que os seu sonhos ganharam vida, voz e tempo!

Amália Rodrigues,  É ou não é? aqui num espectáculo em Itália.


É ou não é
Que o trabalho dignifica
É assim que nos explica
O rifão que nunca falha?

É ou não é
Que disto, toda a verdade
Que sabe por dignidade
No mundo, ninguém trabalha!

É ou não é
Que o povo nos diz que não
Que o nariz não é feição
Seja grande ou delicado?

No meio da cara
Tem por força que se ver
Mesmo a quem o não meter
Aonde não é chamado!

Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é!
Ai, não, não é!
Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é! Pois é!

É ou não é
Que o velho que à rua saia
Pensa, ao ver a minissaia:
Este mundo está perdido?

Mas se voltasse
Agora a ser rapazote
Acharia que saiote
É muitíssimo comprido?

É ou não é
Bondosa a humanidade
Todos sabem que a bondade
É que faz ganhar o céu?

Mas a verdade
Nua sem salamaleque
Que tive de aprender
É que ai de mim se não for eu!

Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é!
Ai, não, não é!
Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é! Pois é!

Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é!
Ai, não, não é!
Digam lá se assim ou não é?
Ai, não, não é! Pois é!

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